O anti-herói.
Não entendo porque as pessoas buscam o olhar para o céu em seus momentos de fraqueza. Talvez elas esperem que a imagem de alguém surja por entre as nuvens, ou que uma mão desça e os indique o caminho a seguir e as pessoas certas de quem devemos estar perto. Não fujo a essa regra. Por muito tempo estive voando por essas nuvens irreais, onde acreditava estar perto do que considerava meu aconchego. Mas turbulento foi o modo que acordei e tomei conta do que deveria fazer. Mudança. Quando me dei conta, comecei a despencar...
Hoje, o mundo presencia o nascimento de mais um descrente no que os sábios consideram de razão para a vida, o que as pessoas boas usam como desculpa para viver, hoje, nasce um anti-herói de tudo que se coloca no plural. Hoje, nasce um anti-herói, singularmente descrente no que todo mundo costuma ter como desculpa para criar laços.
Todos esses pensamentos passavam rápidos na minha mente enquanto caía do sonho eólico no qual estava preso. O vento passava aos meus ouvidos, sussurrando palavras severas e intensas. Uma queda à deriva.
A longa queda acabou. Estive preso por muito tempo no campo dos sonhos celestes para entender que meu lugar é o solo. Estou descendo. Posso ver o chão ficando maior e chegando mais perto, não o temo, pois sei que ali é o meu lugar. E beijarei e amarei o solo, assim que tocar nele, como um soldado que volta para seu lar depois de anos em guerra.
Finalmente coloco meus pés no chão. Visão focada no caminho à frente. As mãos só alcançam aquilo que os olhos enxergam. Não existe sentimento sem contato, não existe laço sem parâmetros de alcance.
Essa é uma despedida
Que só entende quem amou algo que nunca pode ver.
Despeço-me.
Sem olhar para trás.
Sentimentos são turbilhões com fins tão fugazes quanto seu início.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário